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07
Oct
2019

PPL na revista Visão - Das startups às doenças raras e agora ao simples "ao quero"

Já não são só as pessoas com as histórias mais tristes nem com as doenças mais raras que se sentem à vontade para pedir dinheiro na internet. O crowdfunding, inicialmente usado por startups em fase de lançar um negócio, está agora disseminado. Alimenta sonhos, realiza objetivos, ajuda a concretizar desejos. Entre o “eu preciso” e o “eu quero” há todo um mundo para descobrir.

 

 

Consultem o artigo no site da Visão ou no ficheiro aqui. Boa leitura!

16
Sep
2019

Humans Before Borders e a campanha Salvar Vidas Não é um Crime

O HuBB - Humans Before Borders lançou a campanha Salvar Vidas Não é um Crime no dia 7 de Junho de 2019. O objectivo da campanha era angariar fundos para a representação legal e transportes do Miguel Duarte bem como de outros membros da tripulação do Iuventa (navio em que realizavam missões de busca e salvamento no Mar Mediterrâneo). Inicialmente, tivemos receio de, ao não atingir o total do objectivo, limitar muito o montante doado. Por esta razão, decidimos fixar o objectivo inicial de 5000€ (que ficava bastante aquem do valor que seria necessário para cobrir as despesas dos Iuventa10), sabendo que em caso de sucesso poderíamos sempre aumentar este valor inicial. No final da campanha, foram angariados 54 732€.

 

No que diz respeito à divulgação, o público-alvo era de uma forma muito geral o povo português. Além dos objectivos mais directos da campanha, era também nosso objectivo sensibilizar as comunidades locais para um problema que se passa a alguns kilometros de nós, nas fronteiras da União Europeia.
A campanha teve início no mesmo dia em que houve uma audiência pública sobre o caso do Miguel e sobre a criminalização da solideriedade, organizada pela então eurodeputada Ana Gomes na sede do Parlemento Europeu em Portugal. Algumas figuras presentes comprometeram-se a divulgar a campanha. Além desta ajuda, divulgámos a campanha através das redes sociais do HuBB, que foram posteriormente partilhadas por membros e seguidores. Realizámos tambem duas sessões de cinema com o filme Iuventa, em Lisboa no cinema Monumental e no Porto no Rivoli. À medida que a campanha ia sendo promovida em redes sociais, começou a ganhar mediatismo e recebemos muitos contactos para que o Miguel desse entrevistas a variadíssimos meios de comunicação, inicialmente nacionais como é o caso do Expresso, da revista Visão, da SIC Notícias, da TVI24, etc. e posteriormente também e meios de comunicação internacionais como é o caso da Al Jazeera e da Reuters. Assim, apenas parte da divulgação foi planeada, uma vez atingida a atenção mediática, a divulgação saiu do nosso controlo.

 

O principal desafio que tivemos foi mesmo o mediatismo que a campanha atingiu e a velocidade com que o conseguimos, que eram objectivos nossos desde o início, mas sendo todos voluntários no HuBB, foi-nos difícil gerir tantos contactos, responder a todas as dúvidas, comentários, pedidos de entrevistas, etc. 

 

A melhor surpresa da campanha foi a acção política gerada pela pressão realizada através da campanha e da sua partilha por políticos, comentadores, jornalistas e associações.

 

Na nossa opinião o vídeo foi extremamente importante para o sucesso da campanha, pois consistiu num apelo directo às pessoas para esta causa. Foi-nos mais fácil chegar às pessoas através de um vídeo sincero gravado pelo próprio Miguel do que por um longo texto.

 

Em relação às recompensas, somos da opinião que não tiveram grande impacto no sucesso da campanha. Até porque, após contactar as pessoas eligíveis para recompensa, muitas disseram que não faziam de todo questão de as receber. Esta campanha chegou ao coração das pessoas e quem doou, foi por solidariedade ao Miguel e restantes membros Iuventa10, para que a própria solidariedade não se torne um crime e não para receber uma recompensa.

 

O que gosaríamos que nos tivessem dito antes de termos lançado a campanha? Talvez que nos tivessem dito que a campanha ganharia o mediatismo que ganhou em tão poucos dias, para nos podermos coordenar mais eficientemente e estarmos preparados para responder a tantos pedidos.

 

Se voltassemos atrás e pudessemos fazer algo diferente, não mudaríamos quase nada: apenas a nossa organização interna de resposta a pedidos e talvez uma página de FAQs.

02
Sep
2019

Kitchen Dates: zero-waste na cozinha

A campanha de sucesso Kitchen Dates partilhou connosco a sua experiência com o crowdfunding. Esperamos que tenham ainda mais êxito com o seu restaurante sem caixote do lixo!

A nossa campanha de crowdfunding deixou-nos muito, muito satisfeitos. Ver tanta gente contribuir para tornar realidade um sonho nosso é algo verdadeiramente gratificante, que nos dá ainda mais força para encarar os desafios que temos pela frente. Abrir um restaurante sem caixote do lixo traz obstáculos um pouco invulgares, mas estamos prontos para pôr todos os nossos princípios em prática e mostrar que de facto é possível alcançar o desperdício zero.

No arranque da campanha decidimos organizar um evento que serviu não só para lançar a angariação de fundos, mas também para partilhar a notícia da abertura. Até então ainda não tínhamos tornado pública esta novidade e achámos que faria todo o sentido juntar as duas coisas, pois teria um impacto redobrado. Este evento atraiu amigos, família, pessoas que já tinham estado em eventos nossos e provado a nossa comida, seguidores nossos nas redes sociais e até meros curiosos que tinham sabido do evento e decidiram aparecer para descobrir do que se tratava.

Depois desse primeiro dia, usámos os nossos canais mais comuns de comunicação: a newsletter, o Instagram e o Facebook. Também fomos convidados a estar presentes em alguns programas de televisão e fomos notícia em jornais impressos e online. Pela dimensão que já tinha, o Instagram acabou por ser o canal mais importante.

O maior desafio, para nós, foi mesmo a gestão das recompensas. Tivemos pessoas a contribuir com um valor fora dos que estavam pré-definidos e ainda estamos a organizar toda a lista de apoios para garantir que toda a gente receberá a recompensa que queria mesmo ter.

O vídeo teve um grande impacto na divulgação da campanha. Por um lado, foi com a exibição do vídeo – durante o evento que organizámos – que revelámos a grande novidade. Por outro lado, a força do storytelling do vídeo torna a transmissão da mensagem mais eficaz e poderosa.

Sem dúvida que o mais surpreendente foi ver pessoas que (ainda) não conhecemos, pelo menos pessoalmente, contribuir muito generosamente para a campanha. Para nós é uma prova de que confiam mesmo no nosso trabalho e no impacto que poderemos ter.

Da nossa perspectiva, o facto de as recompensas associadas estarem sempre associadas a lugares em eventos nossos ou produtos tornou o apoio à campanha ainda mais apelativo. Não queríamos, no entanto, que fosse apenas uma pré-venda de produtos ou serviços. E por isso associámos, em todos os patamares, recompensas mais simbólicas que também façam com que as pessoas se sintam parte daquilo que estamos a construir. No limite, o espaço será tão nosso quanto delas.

A nossa experiência com a campanha não foi nada stressante nem nos deixou a pensar que devíamos ter feito as coisas de outra forma. Sabemos que poderíamos ter sido mais insistentes na divulgação, para angariar um valor mais elevado, mas estamos tranquilos com o resultado final e com tudo o que fizemos durante a campanha para passar a nossa mensagem e estimular a discussão sobre os temas que mais nos preocupam: sustentabilidade e alimentação saudável.

 

12
Jun
2019

Pedalar pela Rafinha

O Carlos Gaspar é o herói da pedalada que todos os anos percorre o Caminho de Santiago de bicicleta. Como acredita que qualquer um que percorra o Caminho se torna melhor pessoa, desta vez tentou estender a melhoria à Rafinha, através de uma angariação de fundos para financiar um tratamento que traria benefícios significativos à vida desta menina.

A campanha foi um sucesso e contou com o apoio de 146 pessoas para superar o objectivo inicialmente imposto de 3600€. Como muito do crowdfunding se baseia na partilha, abordámos o Carlos para pedir-lhe um curto testemunho. Talvez dessa forma possam outros ciclistas seguir o seu Caminho.

Ao ser questionado sobre que canais de divulgação usou, o Carlos disse que usou e-mail, Facebook, jornais, revistas, rádio, cartazes, pequenos cartões, mas salienta que os que trouxeram melhores resultados foram o e-mail, a rádio e o contacto directo. Diz também que a importância de amigos, família e conhecidos foi fundamental, mas também os colegas de trabalho, pois no seu caso eram cerca de 3500 espalhados por todo o país.

Sobre os principais desafios que encontrou, afirma que foi a renitência por parte de alguns apoiantes ao método de pagamento não ser directamente ao promotor e por isso adiaram até ao final da campanha para apoiarem. Como maior surpresa durante a campanha, o Carlos aponta para a mobilização por parte de muitos formandos de centros de formação e de empresas que contribuíram em muito para o alcance do objectivo. Quanto ao vídeo, o Carlos considerou que é imprescindível pois tornou mais visível a campanha. Já as recompensas, achou que não eram muito importantes pois as pessoas apoiaram independentemente delas.

Agora que terminou, o Carlos pensa que teria sido melhor se tivesse tido mais contacto cara a cara e promovido sessões de divulgação junto de potenciais apoiantes. Muito obrigado Carlos Gaspar, bom Caminho, e até à próxima.

03
Jun
2019

Como foi possível?

A Montis - Associação de Conservação da Natureza, responsável pela campanha Como coisa que nos é cedida, desvenda alguns segredos do sucesso por trás da terceira maior campanha de sucesso na história da PPL.

 

A campanha “Como coisa que nos é cedida”, da Montis, é a campanha financiada de crowdfunding que mais dinheiro mobilizou em Portugal, se excluirmos o caso particular das duas campanhas de apoio à greve dos enfermeiros.

Houve, até hoje, uma outra campanha, de Nuno Markl, para fazer um filme, que conseguiu mobilizar mais dinheiro, mas não teve sucesso por ter um objectivo muito alto, sendo inteiramente justa a caracterização então feita pelo promotor: o falhanço de crowdfunding de maior sucesso em Portugal.

Talvez por isso nos perguntem como é possível mobilizar tanto dinheiro numa campanha feita por uma pequena associação de conservação da natureza sem estrelas mediáticas e practicamente ignorada pela imprensa?

 

 

Em primeiro lugar, a Montis não é principiante no uso de crowdfunding, pelo contrário, das vinte campanhas mais financiadas em Portugal, três foram promovidas pela Montis. A Montis fez ainda uma quarta campanha, pequena, em torno dos 2 500 euros, cujos objectivos se prendiam mais com comunicação que com financiamento.

Para nós o recurso ao crowdfunding, e em geral ao crowdsourcing, isto é, à capacidade de ir buscar à multidão recursos que nos são úteis para a gestão da organização – voluntariado, ciência cidadã, inovação, financiamento, etc. – é uma opção de base que nos obriga ao confronto entre o que achamos que é útil à sociedade e o que a sociedade pensa sobre o que fazemos.

O crowdfunding é um instrumento de financiamento pelo qual optámos desde o início, e sempre o encarámos como sendo um instrumento de comunicação poderoso e barato, portanto sempre estivemos dispostos a fazer campanhas em que o risco de não obter financiamento é elevado, mas em que os ganhos de comunicação possam ser, ainda assim, compensadores.

O que procuramos fazer é definir objectivos claros, palpáveis, simples de compreender e que correspondam a necessidades de gestão nossas, mas também respondam a preocupações dos nossos potenciais apoiantes.

Só depois desta definição é que orçamentamos e avaliamos se o valor pedido é minimamente realista, sendo certo que campanhas que visam coisas mais concretas, como a compra de terrenos para conservação, são mais sólidas que campanhas mais imateriais, como o lançamento do nosso programa de voluntariado.

A partir desse momento planeamos a campanha em função da sua dificuldade, sabendo que um arranque forte é útil, mas não suficiente, que por mais esforços que façamos é muito pouco provável que a fase intermédia da campanha não dê a sensação de estar a morrer, sendo preciso chegar à fase final da campanha mantendo a expectativa de que é possível atingir o objectivo pretendido.

Naturalmente temos dois públicos essenciais que nunca descuramos: a) os nossos sócios; b) os doadores das anteriores campanhas de crowdfunding. Temos perfeita consciência de que, antes de tudo, das boas ideias, do bom planeamento, da boa definição de recompensas, seja do que for, o factor chave para o sucesso da campanha é a confiança das pessoas em nós.

Em rigor, estamos permanentemente em preparação para as campanhas futuras ao produzir informação transparente sobre a aplicação de recursos, resultados obtidos e o dia a dia do que fazemos, e pensamos que essa terá sido uma das razões que nos permitiram ter sucesso nesta campanha, apesar de um objectivo de quase trinta mil euros (que não sabíamos que nunca tinha sido alcançado por outra campanha, excluindo as duas de apoio à greve de enfermeiros e a de Nuno Markl).

Pensamos que esse trabalho permanente de reforço da confiança no nosso trabalho, que tem sempre de começar nos que nos são mais próximos, tem permitido que a doação média tenha vindo a subir de campanha em campanha, isto é, para além do número de doadores ter vindo a aumentar, também o que cada um está disposto a dar tem vindo a aumentar, o que para nós foi a maior e mais agradável surpresa da campanha.

Note-se que há uma diferença muito grande entre a doação média, em torno dos 75 euros, para a doação mediana, isto é, o valor que separa a metade de doações mais baixas da metade de doações mais altas, que está nos 25 euros.

Estes resultados explicam-se porque sabendo da dificuldade da campanha, procurámos, ainda antes do seu lançamento, falar com doadores que pudessem estar disponíveis para doações maiores, o que deu origem a um conjunto relevante de doadores entre os 200 e os 500 euros e uma doação de 3 mil euros que, naturalmente, fazem subir a média e a afastam da imensa maioria dos doadores, que na verdade contribuem com doações mais pequenas: como referido acima, 50% das doações estão abaixo dos 25 euros.

Do ponto de vista da campanha, o que nos parecia ser o maior desafio era manter a expectativa de que seria possível ter sucesso, sobretudo ao longo do longo mês intermédio da campanha, depois do arranque inicial e antes do impulso final que, de maneira geral, é forte se a expectativa de sucesso for alimentada.

Para lidar com este desafio, adoptámos duas linhas de trabalho.

Por um lado, de um ponto de vista estritamente financeiro, reservámos um montante próprio para fazer “auto-doações” em momentos chave em sentíssemos que o risco da expectiva de sucesso poderia morrer. Por outro lado, pedimos aos nossos mais próximos que, se tivessem intenções de fazer doações, as fizessem, tanto quanto possível, neste período crítico.

Por outro lado, e bem mais importante, planeámos a maior parte das actividades de contacto directo com potenciais doadores (passeios, colóquios, visionamento de filmes, actividades de desenho na natureza, actividades de registo de informação de biodiversidade, oficinas de cozinha, etc.) para este período, quer porque sabemos que o contacto directo é muito importante na motivação de doadores, quer porque este conjunto de actividades nos permitia estar permanentemente a falar da campanha sem ser excessivamente repetitivos.

 

 

A preparação dos materiais base para a campanha, o vídeo e, no caso desta campanha que era para compra de terras, mapas, fotografias, orçamento, texto explicativo é sempre uma preocupação central e damos especial importância aos comentários que nos fazem, antes e depois da campanha lançada, procurando mudar rapidamente o que percebemos que não está a ser compreendido ou a motivar perguntas. Por exemplo, o nosso orçamento tinha cinco mil euros para gestão de combustíveis florestais, isto é, gestão de matos, fogos controlados, etc., mas logo nos primeiros dias alguém disse que apoiaria a campanha, mas achava excessivos os 5 mil euros para gasolina, o que nos levou a alterar a descrição desse item do orçamento quando percebemos que poderia ter essa leitura.

A capacidade de responder e adaptarmo-nos às reacções das pessoas é uma coisa que também faz parte do planeamento: procuramos nunca ter mais de um dia útil de resposta a qualquer contacto ou doação, e procuramos estar disponíveis para integrar as iniciativas de apoio, ou as sugestões de terceiros, como foi o caso de várias antes estreias, seguidas de debate, de um vídeo feito por um sócio que sugeriu usá-lo neste contexto, tendo sido um êxito inesperado para a campanha.

No caso específico das nossas campanhas, e penso que aí nos afastamos de uma boa parte das campanhas de crowdfunding, procuramos definir boas recompensas, mas não temos ideia de que sejam um factor relevante nas doações.

Por fim, se pudéssemos rebobinar a fita do tempo e começar a campanha agora, talvez alterássemos algumas das actividades: programámos actividades a mais que nos pareciam (e pensamos que os participantes também são da mesma opinião) interessantes, mas que na realidade têm um potencial mínimo de gerar doações. Acreditamos que na próxima campanha iremos dedicar mais tempo a tentar responder a uma pergunta central: por mais interessante que seja a actividade, o seu potencial para gerar doações é alto ou baixo?

De uma coisa estamos certos: apesar da olímpica indiferença da imprensa, sobretudo por parte dos jornalistas especializados em ambiente (com excepções que agradecemos), apesar dos comentários ignorantes sobre o crowdfunding como instrumento de lavagem de dinheiro e coisas do género, a campanha valeu a pena, tal como as anteriores, e naturalmente estaremos à procura da melhor oportunidade para fazer a seguinte.

Henrique Pereira dos Santos

 

21
Mar
2019

Testemunho dos "É p'ra Amanhã"

O financiamento de uma iniciativa, idealizada por um conjunto de fortes vontades individuais, é muito importante para a sua concretização, não só por razões óbvias, mas porque permite uma maturação melhor e mais rápida.

No caso do É p'ra amanhã, um projeto que parte de uma ideia individual que vai juntando motivações de um grupo de amigos, o financiamento foi crucial para a ideia deixar de ser sonho e passar a realidade. Desde o início que estávamos dispostos a investir mais que dedicação pessoal e dinheiro nosso e o crowdfunding sempre foi uma forte opção.

Durante 2018 fizemos algumas candidaturas a diversos fundos e conseguimos aprovação de uma linha de financiamento em consórcio internacional para a implementação de ações efetivas em alterações climáticas e vida sustentável (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 11, 12 e 13), sendo o É p'ra amanhã cofinanciado pela União Europeia e pelo Camões I.P., no âmbito do projeto NO PLANET B - AMI.

Uma vez que o No Planet B financia uma percentagem do orçamento, cabia-nos a nós co-financiar a restante parcela, que anda à volta dos 6000€. 

Para além do desenho de acções concretas para a angariação de fundos, começámos por tentar avançar com o objectivo de 4500€ com o PPL, do qual saudamos a disponibilidade em pensar conjuntamente o sucesso da campanha. 

O PPL aconselhou-nos a baixar o objectivo, de modo a garantir a recepção de um montante mínimo e a conclusão da campanha financiada a 100%. Estabelecemos então o nosso objectivo em 3500€ e concluímos a campanha com 197% desse valor! E foi surpreendente ver que os apoios continuavam a aumentar mesmo depois de atingido o objectivo de 100%.

Muito cedo considerámos esta campanha de crowdfunding como uma grande oportunidade de comunicação e decidimos utilizá-la paralelamente ao primeiro momento do projeto - ao seu lançamento. Assim ambos ganharam visibilidade ao mesmo tempo - a 15 de Dezembro de 2018.

Considerámos a época que antecede o Natal crucial pois acreditámos que este projeto poderia trazer uma oferta diferenciada ao que são os pedidos de donativos mais comuns nesta época, mais ligados a organizações de cariz social. Aproveitámos também esta altura para introduzir o projeto na nossa rede de familiares, amigos e contactos e canalizar alguns apoios como prenda natalícia, método que se revelou muito importante para o nosso sucesso! As redes sociais onde investimos algum dinheiro em anúncios patrocinados e a comunicação social ajudou muito na propaganda do projeto, principalmente para fora da nossa rede mais próxima de contactos. Como tal, também as recompensas foram pensadas contabilizando a materialidade desta altura. Não desejámos produzir merchandising ou outros objectos alusivos ao mesmo. Por isso, focámo-nos em experiências: em recompensas não materiais e vivências que, a nosso ver, encaixam bem melhor com esta época. As recompensas passaram, não só pelo devido agradecimento nos nossos canais e créditos do nosso produto final - a série documental - como pela compra e plantação de uma árvore; um lugar na antestreia; uma refeição cozinhada por nós e convívio; uma experiência com projetos de acção directa; participação nas rodagens; e uma formação certificada em Permacultura. Procurámos sempre integrar todo o apoio em vivências e cooperação, que consideramos essenciais até para os objectivos primordiais do nosso projeto.

Apesar do sucesso, sentimos que uma campanha assim com uma duração aproximada de 2 meses, exige um planeamento forte: foi necessário pensar a comunicação com tempos concretos para a duração da campanha, contabilizando os esforços que cada etapa poderia contabilizar. É ideal não concentrar todos os esforços ao início e depois ter alturas com pouca interacção. Foi um grande desafio planear esse equilíbrio e acabámos por ter booms de comunicação muito concentrados. A aposta inicial na comunicação clara do projeto foi muito forte e acreditamos que um vídeo muito demonstrativo e com uma mensagem simples é a maior ferramenta comunicativa do projeto. Consideramos que uma boa solução para tal seria planear algumas parcerias de comunicação com meios ou pessoas-chave e distribuir essa comunicação em diversos momentos da campanha.

Por último, é essencial desenhar um método de contabilização e monotorização do desempenho das recompensas, facilitando assim a adaptabilidade para a comunicação do desempenho da própria campanha em vários momentos. 

Sabendo que nada é fácil de prever ao início, um planeamento mais pormenorizado da mesma é uma clara mais valia!

27
Feb
2019

Testemunho Big Band Junior

A Big Band Junior(BBJ) é uma orquestra-escola de jazz constituída por vinte músicos entre os 12 e os 19 anos de idade. Estando a cargo da Associação Cultural Orelha Viva e do Hot Clube de Portugal, movem-se pela vontade de proporcionar uma educação musical rica e uma experiência de orquestra que habitualmente está restrita aos músicos profissionais.

Em 2018 prepararam um repertório 100% português, dedicado à música de Bernardo Sassetti, com o objectivo de a apresentar às gerações mais novas. A estreia decorreu na Sala Principal do Teatro São Luiz, e foi de tal forma bem-sucedida que praticamente esgotou. Partindo desta vitória, nasceu a vontade de registar em disco este momento especial da vida da orquestra. Apesar de ser o 3º disco da BBJ, foi a primeira vez que a grande maioria dos jovens músicos gravava um disco num ambiente profissional, e foi para muitos a concretização de um sonho.

Foi com esta premissa que a campanha de crowdfunding foi lançada, e o pedido de ajuda divulgado. O objectivo era ambicioso, 6600€ para dar vida ao disco. Foram 40 dias intensos, mas graças ao esforço conjunto de todos, a campanha não só atingiu o objectivo como o superou largamente, angariando até ao último instante 7670€.

Para que outros possam aprender com o seu sucesso, contactámos a BBJ e pedimos-lhe o pequeno testemunho que se segue.

Sobre a divulgação escolhida, afirmam que os dois vídeos criados especificamente para divulgar a campanha foram fundamentais. Um mais oficial e sério, outro mais caseiro e cómico, que publicaram no Facebook, Instagram, Twitter, etc... Acrescentam ainda que os vídeos receberam uma promoção paga no Facebook.   

 

Como principais desafios, destacam a altura escolhida para a criação da campanha, que acabou por atravessar o Natal. A ideia inicial consistia em aproveitar esta época festiva e converter as recompensas da campanha em prendas, mas segundo afirmam, a estratégia não foi suficientemente adoptada e obrigou a uma mudança.

Como maior surpresa, afirmaram ter-se tratado de um donativo especialmente generoso e inesperado, pois tratou-se de uma empresa com a qual não tinham uma relação próxima. 

Quanto à importância das recompensas, consideram que no seu caso não foi determinante, pois muitos dos apoios chegaram por parte de amigos e familiares. No entanto, foi importante nos restantes casos.

Como estratégia, consideram importante anunciar uma data de fim de campanha um dia antes do prazo real estipulado, pois acabaram por receber aproximadamente 500€ no dia seguinte, neste caso, numa segunda-feira.

Como principal conselho, afirmam que se deve evitar a época do Natal.

29
Nov
2018

Crowdpublishing: o futuro dos livros

Alexandre Coutinho, jornalista e editor:

Sou cofundador da Contra a Corrente, a primeira editora criada em Portugal com um modelo de crowdpublishing. O que nos levou a criar a editora com este modelo? Em meados de 2010, cerca de um ano antes da criação da Contra a Corrente, estive envolvido na edição de um livro de autor que não encontrava uma editora interessada em publicá-lo… ocorreu-nos então dirigirmo-nos directamente aos leitores, às empresas e às instituições, que financiaram o livro, tendo como contrapartida a colocação dos seus nomes, logotipos e marcas na contracapa e o valor do patrocínio convertido em exemplares do livro. O sucesso deste modelo seria replicado a partir de 2011, em mais de duas dezenas de edições lançadas até à data.

Embora rodeados por muitos anúncios de programas de apoio ao investimento (Portugal 2020, fundos comunitários), a realidade que se depara aos empreendedores nacionais é de uma enorme complexidade burocrática, inevitável recurso a fundos de tesouraria para superar os atrasos do Estado (com os inerentes encargos financeiros) e crédito a um custo inacessível por parte das instituições de crédito. As melhores soluções de financiamento passam pela mobilização de investidores directos, business angels, crowdfunding ou fundos privados de incubadoras ou de universidades, para o lançamento de start-ups.

Criado nos Estados Unidos, o crowdpublishing chegou recentemente à Europa, onde é mais usado por autores independentes e por editoras de nicho, especializadas em livros de grande qualidade e de tiragens limitadas. Com o apoio de uma plataforma de crowdfunding – por exemplo, o PPL – é possível apresentar um projecto a uma vasta comunidade de potenciais leitores interessados em adquirir o livro a um preço mais vantajoso, contribuindo com montantes que podem variar entre €1 e €200, por exemplo, e recebendo em troca as mais diversas recompensas: livros numerados com assinatura dos autores; convites para as sessões de lançamento; conversas com os autores; e, claro, uma menção na página dos Agradecimentos. Poesia, contos para crianças, livros sobre causas sociais e ambientais, e livros de história, são os que mais recorrem ao crowdpublishing.

Actualmente, os editores deparam-se com uma escassez de financiamento no mercado para obras independentes, a par de uma rede deficiente de distribuição e de um circuito obsoleto de livrarias. Por isso, mais de dois terços dos livros editados pela Contra a Corrente são comercializados directamente aos leitores e enviados por correio, à cobrança ou após pagamento por transferência bancária. No futuro, por força da crescente digitalização e consequente diminuição da procura pela imprensa escrita, os livros tornar-se-ão obras de prestígio, com tiragens limitadas e exclusivas, previamente encomendadas pelos leitores. No limite, o livro alcançará o estatuto de “obra de arte” – algumas experiências pioneiras foram muito bem sucedidas com livros de fotografia em grande formato – com tiragens de 100 ou 200 exemplares numerados e assinados pelo autor. Já imaginou receber o seu livro directamente das mãos do seu autor de referência, num encontro ou jantar privado?

05
Nov
2018

Como o crowdfunding pode ser um modelo de financiamento para o teu projeto

Quando lançamos um site ou projeto no digital queremos ter sucesso. E por sucesso entenda-se várias coisas: lucro financeiro, conexões e contactos, visibilidade, projeção, etc. Neste artigo, vou-te explicar porque é que o crowdfunding pode ser um modelo de financiamento interessante para o teu projeto digital… qualquer que seja o teu objetivo.

A minha história

Quando lancei o Nomadismo Digital Portugal corria o ano de 2016 e o mês de fevereiro. Estava a preparar-me para deixar a minha casa em Paris pois, nessa altura, já tinha conseguido criar a minha atividade de freelancer remota a full-time.

O projeto nasceu como um blog onde eu partilhava as minhas experiências na construção da minha atividade de freelance e adaptar tudo o que aprendi e li à realidade portuguesa – porque sim, vivia em Paris, mas trabalhava e ainda trabalho para e com Portugal.

Depois de mais de um ano a ler e aprender com conteúdos e pessoas dos Estados Unidos, Brasil, Inglaterra e França, peguei em tudo o que sabia e na minha experiência e decidi criar um projeto dedicado a estas temáticas para o público português.

Essa decisão foi tomada por ter visto uma janela de oportunidade para alcançar sucesso. Nessa altura, sucesso era sinónimo de visibilidade – sabia que seria difícil torná-lo auto-sustentável assim tão rapidamente, pois tinha que educar primeiro o público para a temática do trabalho remoto. Queria que esse projeto pessoal se transforma-se numa janela de visibilidade para a Krystel “Freelancer”.

Dois anos depois, o projeto tornou-se uma referência dentro desta temática e chegou então a altura de mudar o conceito de “sucesso”: queria que o projeto se tornasse o meu trabalho a full-time. E aí foi onde entrou o crowdfunding.

Financiamento para alcançar sucesso

Voltemos um pouco atrás. Comecei por dizer que o crowdfunding poderia ajudar-te a ter sucesso, qualquer que fosse a noção que tens dele.

No início, com o meu projeto, o sucesso era visibilidade isto porque não tinha público educado para o meu projeto. A forma de chegar ao meu público foi criar conteúdo, e a minha escolha foi continuar a trabalhar com freelancer (aproveitando a visibilidade que o projeto me ofereceu).

Quando, com o meu trabalho, alcancei um público que sabia que podia escalar o meu projeto a algo maior, precisei de dinheiro – porque sabia que a prioridade seria ter tempo, e para ter tempo precisava de parar de trabalhar tanto e para isso precisava de dinheiro (faz-te sentido, certo?).

Porquê o crowdfunding?

Poderia ter escolhido um banco ou até alguém individual para pedir um empréstimo, mas sabia que a minha audiência, pela confiança que já tinha depositado no conteúdo que lhe fui oferecendo, iria querer ter mais e melhor.

Escolhi o crowdfunding porque precisamente não procurei um financiamento: procurei um investimento. Enquanto que num financiamento a contrapartida é uma taxa de juro e pagamento em dinheiro, num investimento como o crowdfunding a contrapartida pode ser aquilo que as pessoas decidirem.

No caso da audiência do Nomadismo Digital Portugal, as pessoas precisam e pedem mais conteúdo sério, informativo e rico sobre trabalho remoto.

Em dezembro de 2017 lancei a minha primeira campanha de crowdfunding, onde podia à minha audiência para investirem na qualidade do conteúdo que eu sei que tenho para lhes oferecer.

Não só eu sei, como elas também sabem: a campanha acabou por ser muito bem sucedida, ultrapassando em 80% o valor pedido inicialmente.

Se procuras uma forma de alcançar o sucesso que tu defines para o teu projeto e se tens uma audiência preparada e pronta para investirem neles mesmos, o crowdfunding é o modelo perfeito para ti!

Escrito por Krystel Leal – Fundadora do Nomadismo Digital Portugal

13
Jul
2018

O Crowdfunding na 1ª pessoa – Cafetaria Aldeia

Dicas preciosas para ajudar-te a criar um projecto de sucesso!

A Priscila e a Sónia construiram em Lisboa um espaço totalmente inovador: a Cafetaria Aldeia.
Focada em fomentar as relação familiares, é uma cafetaria family friendly, onde pais e filhos passam tempo de qualidade juntos. Para tornar o espaço ainda mais acolhedor e fazer várias obras de renovação, as duas empreendedoras recorreram ao crowdfunding.

78 apoiantes contribuiram para angariar mais de 4 000€, um estrondoso sucesso. Mas qual a estratégia utilizada para alcançar este número? O que sugerem a futuros promotores?
Descobre a resposta no vídeo:

 

E tu, de que estás à espera para financiar a tua campanha?

Sabe mais sobre esta campanha e descobre o desafio para criares uma campanha bem-sucedida.