Criado em 1984, o STATES foi um espaço alternativo decisivo para a cena rock de Coimbra, um símbolo cultural da cidade, cujo letreiro original em metal, néon e acrílico vermelho se pretende agora restaurar para preservar essa memória colectiva
Fundado em 1984, o States começou por ser uma discoteca semelhante às restantes em Coimbra, mas em 1986, pela mão de Jorge Peixoto (“Jó”), transformou-se num espaço alternativo que marcou profundamente a cena musical da cidade. Ao som de bandas como os Devo e os The Cramps, tornou-se ponto de encontro para uma geração que descobria o rock, o punk e o pós-punk. As míticas matinés de quarta-feira, que levavam muitos alunos a faltar às aulas, ajudaram a formar musicalmente vários músicos de Coimbra. Mais do que uma discoteca, o States foi um espaço de afirmação cultural e de construção de identidade. Encerrou definitivamente na passagem de ano de 2016 para 2017, permanecendo como símbolo de uma época vibrante da cidade.
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Este letreiro data de 1984. Consiste de letras metálicas espaçadas fixas numa subestrutura metálica. Cada letra teria originalmente um elemento tubular em vidro por onde corria gás nobre, dando a sua característica iluminação quando sensibilizado pela luz eléctrica. As letras são guarnecidas por um elemento em acrílico vermelho. O restauro deste letreiro permitirá preservar e mostrar publicamente um elemento gráfico essencial da cena noctívaga e musical da cidade de Coimbra. Ao contribuírem nesta campanha, contribuem para que este letreiro seja restaurado na sua forma e iluminação, fazendo com que seja preservado e mantido para memória e fruição de todos os cidadãos. Dado que não foi possível recuperar os elementos tubulares em vidro, a iluminação interna deste letreiro será realizada de forma a aproximar o máximo possível da imagem original. Os acrílicos também carecem de arranjo, assim como a parte metálica precisa de ser tratada e consolidada.
Para saber um pouco mais sobre o espaço da discoteca STATES: https://www.dn.pt/arquivo/diario-de-noticias/states-uma-discoteca-difere...
Sobre o promotor
Tipos de Coimbra é um projecto sem fins lucrativos que pretende resgatar os letreiros publicitários ainda existentes na face da cidade de Coimbra e que estejam em risco de perda ou destruição, retirando-os das fachadas, de forma preservar e restaurá.los. Vive na intersecção de memória, história, arte e tecnologia, enquanto testemunho temporal de um genius loci e atemporal para a ressignificação de um sentido de pertença. Enquanto projecto permanentemente em construção, com um espólio que cresce a cada resgate, o objectivo é também restaurar e expor os elementos reclamados das ruas. O acervo conta agora com 50 peças, espólio que apresenta elementos em vidro com néon, caixas de luz em acrílico, chapas metálicas e outros artefactos, de diversas décadas, que testemunham diversas épocas da imagem gráfica da cidade de Coimbra, enquanto pretendem fixar o elemento gráfico, tecnológico e tipográfico que já preencheu a paisagem urbana. É pretensão do projecto de evoluir para uma estrutura museológica, com o objectivo de promover exposições e publicações, de forma a dar a conhecer ao público as tecnologias e tipografia destes letreiros e reclames, fixando também as histórias das marcas, empresas e pessoas que residem nestes elementos. Além do espólio actual, decorrem igualmente negociações de forma a viabilizar o resgate de cerca de uma dezena de letreiros em Coimbra e em localidades vizinhas.
https://www.instagram.com/letrasdecoimbra
Este projecto foi criado por duas pessoas:
Rafael Vieira (Coimbra, 1979) é arquitecto e jornalista-colaborador, mestre em Reabilitação Urbana e pós-graduado em Jornalismo de Investigação Colaborativo e doutorando em Sociologia - Cidades e Culturas Urbanas na FEUC. Resgata memórias gráficas da cidade pelo projecto Tipos de Coimbra (com Liliana Marante), mantém o acervo Coimbrastreetart e é activista nos colectivos Eu Também Coimbra e Coimbr’a Pedal. Vencedor de vários prémios jornalísticos e literários, lançou o livro «Os Salatinas - Coimbra da Saudade» pela Fundação FMS e co-realizou o documentário «Salatinas - História da Velha Alta de Coimbra
Liliana Marante (Águeda, 1985) é a outra mediadora do projecto Tipos de Coimbra. Psicóloga e terapeuta corporal, mestre em psicologia clínica e da saúde pela FPUL e pós-graduada em dança e movimento em psicoterapia na FPCEUC. Interessa-se pela exploração do movimento no espaço enquanto ocupação e identidade. O estudo da conceptualização/ estrutura de espaços liminais, e a relação espacial que se forma entre as coisas, narrativa e experiencialmente, tem sido objecto de trabalho, incluindo as interacções interespécies e com objectos vivos pela memória.
Orçamento e Calendarização
A orçamentação cobre o restauro dos componentes do letreiro, nomeadamente as letras e a substrutura metálica, a parte acrílica e a parte eléctrica a criar/recriar de raiz. Os custos distribuem-se da seguinte forma:
- Tratamento e preparação dos elementos metálicos das letras e subestrutura: 120€
- Arranjo dos elementos em acrílico vermelho, instalação da parte luminosa, esquema eléctrico actualizado, material de ligações eléctricas e mão de obra, selagem e substituição de elementos, assim como fixações novas: 209€
- Protecção e acabamentos: limpeza final do letreiro, protecção UV para acrílico, tratamento final anticorrosivo e revisão geral de fixações: 50€
- Transporte e instalação do letreiro, teste final de funcionamento e fixação, desmontagem e transporte: 75€ (correspondendo a quatro viagens de transporte e guarda em armazém)
- Comissões PPL: 46.13€
Total: 500€
Galeria de Imagens
Rafael JSTL Vieira
Conseguimos!
Malta apoiante, conseguimos financiar o restauro da peça States. Um sentido muito obrigado!
A peça já está a ser intervencionada e será exposta muito em breve, assim que concluído o trabalho, e inaugurada com um programa extra ainda a revelar. Depois avisaremos por aqui. Novamente, muito obrigado e até breve!
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