O projeto Microfloresta na Escola é uma ação transformadora que alia regeneração ambiental, inovação pedagógica e envolvimento comunitário, focado no papel das escolas como espaços de cidadania ativa e responsabilidade climática.
Enquadramento Geral
A tempestade Kristin provocou danos relevantes nos ecossistemas urbanos da Marinha Grande e de Leiria, afetando de forma significativa os espaços verdes integrados nos estabelecimentos de ensino. Esta realidade criou não apenas a necessidade de recuperar áreas naturais destruídas, mas também a oportunidade de repensar a relação da comunidade escolar com o ambiente, promovendo novas dinâmicas de aprendizagem em contexto real.
A implementação de microflorestas na Escola Secundária Pinhal do Rei e no Jardim de Infância da Boavista, pertencente ao Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente (AEMGN) surge como resposta ecológica, educativa e comunitária, alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4 – Educação de Qualidade, ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, ODS 13 – Combate às Alterações Climáticas e ODS 15 – Vida sobre a Terra). Estas microflorestas permitirão simultaneamente regenerar ecossistemas, potenciar aprendizagens ativas em contexto e fortalecer práticas de cidadania ambiental.
A experiência bem-sucedida da implementação de microflorestas, desenvolvida pela e com o apoio da Fundação Aga Khan, constitui referência e modelo a implementar nas três escolas do nosso território educativo.
2. Fundamentação Científica e Técnica
A proposta de criação de microflorestas nas escolas assenta na criação de florestas densas, compostas exclusivamente por espécies autóctones, selecionadas de acordo com o potencial natural da região. A elevada densidade de plantação promove competição positiva entre plantas, resultando em crescimento acelerado, maior resiliência e rápida estabilização do ecossistema.
Estudos científicos demonstram que microflorestas implementadas segundo este método podem apresentar taxas de crescimento até dez vezes superiores às plantações convencionais, alcançando maturidade ecológica funcional em cerca de 20 a 30 anos. A diversidade estrutural e específica favorece a retenção de água, a melhoria do solo e o aumento da biodiversidade.
A plantação de espécies autóctones caraterísticas da região centro/oeste de Portugal e do território mediterrânico constitui uma estratégia essencial para a promoção da biodiversidade, a recuperação de ecossistemas degradados e o reforço da resiliência das paisagens face às alterações climáticas.
3. Objetivos do Projeto
O projeto tem como objetivo geral a recuperação ecológica de áreas escolares degradadas, aliada à criação de um laboratório vivo de aprendizagem interdisciplinar.
Constituem objetivos específicos:
- Reforçar a biodiversidade local através de espécies nativas;
- Contribuir para a mitigação e adaptação às alterações climáticas;
- Promover práticas educativas inovadoras;
- Envolver a comunidade escolar e local em ações de cidadania ambiental;
- Alinhar a intervenção com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente os ODS 4, 11, 13 e 15;
- Fomentar a pesquisa, investigação, monitorização e cultura científica junto dos alunos; e
- Mobilizar parceiros institucionais e famílias em ações de voluntariado ecológico.
Sobre o promotor
Resultou da agregação do Agrupamento de Escolas Prof. Alberto Nery Capucho com a Escola Secundária Pinhal do Rei no dia 24 de abril de 2013, englobando a Educação Pré-Escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário (Regular e Profissional). O Agrupamento é composto por várias unidades orgânicas:
|
Educação Pré-Escolar
|
Básico
|
Ensino Secundário
|
|
1.º CEB
|
2.º CEB
|
3.º CEB
|
|
|
JI Boavista
JI Comeira
JI Engenho
JI João Beare
JI Pedrulheira
JI Pilado
JI Trutas
|
EB Albergaria
EB Comeira
EB Engenho
EB João Beare
EB Nery Capucho
EB Picassinos
EB Pilado
EB Trutas
|
EB Nery Capucho
|
EB Nery Capucho
ES Pinhal do Rei
|
ES Pinhal do Rei
|
O Agrupamento presta o serviço académico a 2124 alunos distribuídos por 28 nacionalidades.
A diversidade de público, resultante do crescimento multicultural da cidade, conjugada com o aumento da escolaridade obrigatória para os 18 anos, requer da parte dos agentes educativos estratégias que contribuam para a resolução dos problemas relacionados com o insucesso e o abandono escolar, promovendo uma inclusão social eficaz.
O Agrupamento dispõe de recursos técnicos pedagógicos e equipamentos fundamentais que proporcionam a qualidade das aprendizagens dos alunos. Conta com os serviços de Educação Especial, os serviços de Psicologia e Orientação e os serviços de Terapia da Fala. O Agrupamento tem três bibliotecas integradas na rede de Bibliotecas Escolares (Nery Capucho, Pinhal do Rei e EB João Beare) e duas Mediatecas (EB Comeira e EB Engenho).
O AEMGN aposta numa Escola Inclusiva que visa atender à diversidade das necessidades dos alunos, onde cada um tem oportunidade de encontrar respostas educativas de acordo com as suas expectativas e potencialidades. Assim, um dos grandes desafios consiste em adequar os processos de ensino às características e condições individuais de cada aluno, através da mobilização de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão e de meios para que todos os alunos tenham acesso ao currículo e às aprendizagens.
O AEMGN assegura o apoio a alunos com necessidades específicas, estando distribuídos pelos diferentes ciclos de ensino, desde o ensino Pré-escolar até ao décimo segundo ano. O centro de apoio à aprendizagem acolhe a valência de apoio especializado à multideficiência no 3.º CEB e Secundário e estando a ser criada a valência para o 2.º CEB.
Orçamento e Calendarização
Descrição Técnica da Intervenção
A intervenção será desenvolvida em quatro etapas técnicas sequenciais: Construir o sonho, a nossa microfloresta, execução da plantação e acompanhamento e sustentabilidade.
A fase de planeamento inclui mobilização da comunidade educativa e definição da visão do projeto. Segue-se a seleção de espécies e desenho ecológico, com base em análise edáfica e climática. A fase de execução compreende a preparação do solo, instalação de sistema de rega temporário e plantação densa. Por fim, será assegurado acompanhamento técnico durante um período mínimo de 24 a 36 meses.
5.1 Etapa 1 – Construir o Sonho
- Mobilização de alunos, docentes, assistentes operacionais e famílias.
- Recolha de ideias e definição colaborativa da visão do projeto.
- Envolvimento das entidades parceiras desde a fase inicial.
5.2 Etapa 2 – A Nossa Microfloresta
- Identificação e seleção de espécies nativas adaptadas ao clima e ao solo local.
- Definição do desenho ecológico da microfloresta.
- Apoio técnico do horto da Junta, Quercus e Divisão de Ambiente da Câmara Municipal.
5.3 Etapa 3 – Execução e Plantação
- Análise do solo: textura, profundidade, drenagem e teor orgânico.
- Melhoria da fertilidade através de composto, biomassa e matéria orgânica.
- Instalação de sistema de rega para suporte inicial.
- Plantação densa e diversificada, garantindo cooperação e simbiose entre espécies.
5.4 Etapa 4 – Acompanhamento e Sustentabilidade
- Monitorização durante 24–36 meses: humidade, invasoras, reposição de plantas, manutenção do sistema de rega.
- Produção de relatórios, registos fotográficos e dados de campo pelos alunos.
- Dinamização de atividades educativas e eventos como a “Festa da Floresta”.
Antes da implementação será realizada uma análise do solo, avaliando textura, profundidade útil, pH, drenagem e teor de matéria orgânica. Com base nos resultados, proceder-se-á à incorporação de composto vegetal certificado e biomassa estruturante.
A instalação de rega temporária será dimensionada de acordo com a exposição solar e as necessidades hídricas iniciais, sendo progressivamente reduzida à medida que a microfloresta se torna autossustentável.
7. Etapas de Implementação e Orçamento
A implementação de cada uma das microflorestas implica a concretização das etapas indicadas abaixo que permitem o apoio e consultoria, a realização de ações de formação e capacitação docente e não docente, preparação do terreno e aplicação de sistema de rega sempre que necessário, aquisição de espécies não disponíveis no horto, a aquisição de equipamento para apoio à plantação e a manutenção.
|
Etapa
|
Descrição
|
Valor
|
|
1
|
Consultoria
|
500 €
|
|
2
|
Informação e Capacitação
|
750 €
|
|
3
|
Preparação, Equipamento e Plantação
|
4 500 €
|
|
4
|
Manutenção
|
750 €
|
|
Total: 6 500 €
|
|
|
O orçamento global estimado para a implementação da microflorestas é de 6 500€, distribuído por consultoria técnica, ações de capacitação, preparação e plantação, bem como manutenção inicial e aquisição de equipamentos.
Este investimento assegura a correta execução técnica da microfloresta e a sua viabilidade ecológica a médio e longo prazo.
A realização de atividades de aprendizagem em contexto proporciona aos alunos a aquisição de conhecimentos, capacidades e atitudes que promovem aprendizagens significativas, através de experiências imersivas e articuladas com situações reais. Este tipo de atividades pode incluir visitas de estudo a espaços naturais ou culturais, oficinas práticas dinamizadas por especialistas, projetos de investigação sobre o meio envolvente, participação em ações comunitárias e a utilização de metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em problemas ou na resolução de desafios reais da escola e da comunidade.
A coordenação das atividades será assegurada por um grupo de trabalho constituído por professores, alunos, pessoal não docente, pais e encarregados de educação, bem como por parceiros do território. Este grupo será responsável pela definição de um plano de atividades centrado na microfloresta enquanto laboratório vivo de aprendizagens, potenciando abordagens interdisciplinares nas diversas áreas do currículo.
A criação de estações de trabalho ao longo da microfloresta permitirá o desenvolvimento de atividades de pesquisa, trabalhos de investigação e projetos, envolvendo disciplinas como Português, Matemática, Ciências Naturais, Inglês, Educação Física e Expressões Artísticas.
Galeria de Imagens
Documentos