Este livro é um parente afastado dos bestiários medievais. Em 400 páginas, numa prosa carregada de referências literárias, segue de A a Z por diferentes espécies animais.
Este livro, parente afastado dos bestiários medievais, apresenta em 400 páginas, numa prosa carregada de referências literárias, seguindo de A a Z, as diferentes espécies animais presentes em Portugal. E evoca, quase sempre de modo irónico, o interagir do homem com elas. Na maior parte das vezes falando do homem...
"Divagar sobre os demais animais assentes na nossa tão celebrada ‘racionalidade’ tem que se lhe diga. Olhe-se pois com suspeita para quanto aqui se diz, não perdendo de vista que rápida meditação diante de uma jaula de macacos é complemento indispensável a esta leitura.” (da introdução do livro)
Excertos do livro:
"dar à pata
Quando meio Portugal rural se deslocava descalço, centenas de vitelos seguiam para a grande feira do Pico dos Regalados em Vila Verde calçando toscos sapatos de coiro para evitar o rompimento das unhas!"
"civilização
É proibido espancar os animais ou empurrá-los pressionando partes sensíveis do corpo. É nomeadamente proibido esmagar, torcer ou quebrar a cauda dos animais ou agarrá-los pelos olhos. São proibidas as pancadas aplicadas com brutalidade, designadamente os pontapés.” E a vergonha de ter de legislar sobre esta matéria?"
"idiomatices
O presidente da douta sociedade animal expressou perante os seus confrades a tristeza que lhe causou o sucedido. ‘Aqui há gato. Na verdade, tenho andado às aranhas, porque um tipo armado em carapau de corrida tentou vender-me gato por lebre, contando-me duvidosas histórias da carochinha e arrotando postas de pescada, um verdadeiro saído da casca, que quero que se vá encher de moscas! Contava eu com um ovo no cú da galinha, e até me atrevi a levantar a lebre, pensando que iria matar dois coelhos de uma cajadada só, quando este cabrão com olhos de carneiro mal morto me fez crer ainda estarmos no tempo das vacas gordas, batendo depois a asa, transformando-me no bode expiatório de tudo isto e fazendo-me fazer figura de urso, dado que passei de cavalo para burro. Tudo ficou em águas de bacalhau, mas longe de mim pretender voltar à vaca fria. O caminho é p’rá frente, para trás mija a burra!’"
"raposa
'Vulpes (raposas), assim chamadas', escrevia Santo Isidoro de Sevilha, 'como se se dissesse volupes, de pés volúveis; é um animal que nunca segue a direito no seu caminho, anda tortuosamente, é fraudulento e de muitos enganos; quando não tem de que comer, finge-se morto, assim atraindo as aves que pousam sobre ela e levantando-se, repentinamente, devora-as.” [Santo Isidoro de Sevilla, Etimologias, la Editorial Católica, Madrid, 1951] Bicha esperta, matreira, fagueira, lambisqueira…"
O livro será impresso no formato 142x215mm, com capa mole e badanas, impressa a cores e ouro; e o miolo impresso a preto sobre papel coralbook de 90g, colado à lombada.
