Criação do primeiro seguro paramétrico intermunicipal em Portugal para valorizar o capital natural, garantir uma resposta rápida a eventos climáticos extremos e evitando perdas ecológicas e financeiras irreversíveis.
O território do Pinhal Interior constitui uma infraestrutura natural crítica, responsável por serviços essenciais como regulação hídrica, sequestro de carbono, controlo de erosão, polinização e suporte ao turismo de natureza. Apesar do seu valor económico real, estimado entre 51 e 172 milhões de euros anuais, estes ativos não estão formalmente protegidos nem contabilizados, permanecendo expostos a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Atualmente, a resposta a incêndios, secas ou tempestades ocorre de forma reativa, através de mecanismos que chegam tarde face à janela crítica de intervenção ecológica. Após um evento severo, a recuperação eficaz depende da atuação nas primeiras semanas; quando esta não acontece, o território degrada-se, os custos aumentam e a recuperação torna-se mais difícil ou mesmo irreversível.
A presente campanha pretende apoiar um piloto no território do Pinhal Interior, com o objetivo de testar e validar um mecanismo inovador: um seguro paramétrico intermunicipal. Este mecanismo afigura-se como uma alternativa / complemento aos seguros convencionais, permite disponibilizar financiamento dias após a ocorrência de eventos climáticos definidos por parâmetros objetivos, como área ardida, níveis de precipitação ou indicadores de vegetação.
Este instrumento responde a dois problemas estruturais: a ausência de liquidez imediata após catástrofes e a inexistência de mecanismos de proteção do capital natural. Ao mesmo tempo, introduz previsibilidade orçamental, ao converter despesa pública imprevisível em custos estruturados, e incentiva a prevenção, através de reduções de prémio para municípios que implementem medidas de gestão ecológica.
O projeto está alinhado com o enquadramento europeu em matéria de restauro da natureza e finanças sustentáveis, bem como com iniciativas já em curso, como o projeto europeu PIISA - Piloting Innovative Insurance Solutions for Adaptation, um projeto europeu de inovação em seguros ligado à adaptação às alterações climáticas, que incentivam a proatividade nessa adaptação e, bem assim, os outros mecanismos de sucesso como é o caso do CCRIF, a primeira pool de risco multi-país do mundo que reúne 23 estados-membros da América Central e Caraíbas.
Mais do que um instrumento financeiro, trata-se de um mecanismo estruturante que permite proteger investimento público, reduzir custos futuros e valorizar o capital natural como ativo estratégico. O objetivo é testar este modelo em contexto real, numa escala controlada, criando uma base sólida para futura replicação a nível nacional.
Estamos perante uma oportunidade de testar, em território real, uma nova abordagem à gestão do risco climático, mais rápida, mais previsível e mais alinhada com o valor do capital natural.
A questão não é se a próxima catástrofe vai acontecer.
A questão é se estaremos preparados quando acontecer.
Sobre o promotor
A ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto é uma plataforma de cooperação regional público-privada, de âmbito supramunicipal, que lidera a Rede das Aldeias do Xisto.
Esta rede integra 28 aldeias da Região Centro de Portugal e envolve cerca de 230 entidades públicas e privadas, incluindo 20 municípios, 5 comunidades intermunicipais, 7 grupos de ação local e mais de 150 empresas que atuam no território.
A missão da ADXTUR é gerar atratividade territorial, promovendo um desenvolvimento social e económico sustentável, integrado e participado. A sua atuação assenta na mobilização das comunidades, na valorização da identidade cultural e dos recursos endógenos e na criação de condições para o desenvolvimento de atividades económicas, em particular no setor do turismo.
Desde a sua criação, a ADXTUR tem vindo a afirmar-se como uma estrutura de coordenação e convergência estratégica no Pinhal Interior, promovendo uma atuação concertada entre agentes públicos e privados e contribuindo para a valorização do território enquanto destino para viver, investir e criar.
Neste projeto, a ADXTUR assume o papel de entidade coordenadora, sendo responsável pela articulação entre os municípios participantes, pela coordenação técnica das atividades e pelo acompanhamento da implementação do modelo, assegurando a ligação entre os diferentes atores envolvidos, incluindo entidades técnicas e potenciais parceiros do setor segurador.
O trabalho desenvolvido ao longo dos anos tem permitido consolidar uma abordagem baseada na preservação do património, na promoção da cultura local e na criação de riqueza a partir dos recursos do território, transformando a identidade dos lugares num ativo de desenvolvimento económico e social.
A ADXTUR assume também um papel de agente experimentador, promovendo iniciativas que cruzam conhecimento, criatividade e inovação, envolvendo diferentes atores e estimulando novas formas de desenvolvimento territorial.
Este projeto enquadra-se nessa trajetória, respondendo a um desafio estrutural do território — a sua vulnerabilidade ao risco climático — através da exploração de soluções inovadoras que reforcem a sua resiliência e sustentabilidade, coadunando-se com outros projetos no sentido de reforçar a resiliência do território, nomeadamente, comunidades de energia renovável, gestão da água e eficiência hídrica.
Orçamento e Calendarização
O financiamento solicitado (200.000€) destina-se à implementação de um piloto focado nas fases críticas de estruturação técnica do modelo, permitindo testar e validar, em contexto real, os principais pressupostos do seguro paramétrico.
Este piloto corresponde a uma fase inicial de investimento estratégico, orientada para reduzir incerteza, validar o modelo e criar as condições necessárias para uma futura implementação à escala do território.
Distribuição do investimento:
1. Coordenação técnica e gestão do piloto: estrutura de coordenação dedicada à implementação, articulação institucional e acompanhamento técnico do projeto.
2. Valorização e análise preliminar do capital natural: caracterização do território e identificação dos principais ativos naturais a proteger.
3. Análise de risco territorial: tratamento de dados históricos e identificação das principais exposições a risco climático.
4. Modelação paramétrica inicial: definição preliminar de parâmetros (triggers), limiares e lógica de funcionamento do mecanismo.
5. Estruturação conceptual do modelo (jurídica e financeira): enquadramento inicial para futura operacionalização do instrumento.
Total: 200.000 €
Este investimento permite desenvolver uma prova de conceito robusta, focada nas componentes técnicas mais críticas, reduzindo significativamente o risco associado a uma implementação futura à escala alargada.
Calendarização (piloto – 12 meses)
O piloto concentra-se nas fases iniciais do modelo, consideradas determinantes para a sua validação:
- Fase 0 (Meses 0–2): Montagem do modelo operacional e estrutura de coordenação
- Fase 1 (Meses 2–8): Baseline ecológico e análise de risco territorial (escala piloto)
- Fase 2 (Meses 8–12): Modelação paramétrica inicial e validação técnica
Duração total: 12 meses
Este piloto corresponde à fase inicial do modelo global (previsto para 30 meses), focando-se nas etapas essenciais para validar o mecanismo e preparar a sua futura expansão.