Pretendemos transformar as feridas da Mata do Castelo em futuro, para que este bosque volte a ser um refúgio seguro onde a natureza e as nossas memórias florescem.
A Mata do Castelo é, para muitos de nós, o primeiro palco de uma vida que ganha coragem: passos apressados ao fim da tarde, segredos murmurados nas sombras, o primeiro beijo entre árvores antigas e muralhas que parecem guardar promessas. É o lugar onde a adolescência se fez memória — e onde queremos que outras gerações encontrem o mesmo abrigo.
A tempestade Kristin rompeu essa continuidade. Partiu pérgulas, derrubou e enfraqueceu árvores, interrompeu trilhos, feriu rotas e apagou pontos de referência. A urgência é dupla: devolver segurança a quem caminha e cuidar do ecossistema que sustenta a beleza deste lugar. Esta candidatura propõe uma intervenção que repara, renova e reconta a Mata com a própria madeira que o vento fez tombar.
Começaremos por reparar as pérgulas e cortar/retirar com critério as árvores em risco, sempre com acompanhamento técnico e respeito pelo ciclo natural do bosque. Ao longo da escadaria, ganhará vida a História de Palomar, uma narrativa discreta que convida a subir devagar, degrau a degrau, ligando pessoas e lugar. Para tornar o entardecer seguro e acolhedor, instalaremos iluminação de chão de baixo impacto, que orienta sem perturbar a fauna.
Em seguida, recuperaremos a Rota Botânica, alargaremos o percurso da flora e atualizaremos a sua leitura: identificação de novas espécies, levantamento faunístico e materiais informativos em rodelas de madeira reaproveitada, onde a própria matéria do bosque explica o que nele vive. A sinalética será simples, clara e bela, para que cada visitante — de escolas a caminheiros, de curiosos a nostálgicos — encontre um caminho próprio de leitura e pertença.
Os novos tesouros da Mata nascem do que caiu. O Jardim Kristin vai ser um roteiro vivo que revela no que se transformaram as árvores tombadas: ao longo do itinerário surgem estátuas e esculturas de animais e espécies da própria Mata do Castelo, talhadas em troncos derrubados; em pontos selecionados, troncos monumentais de árvores mortas de pé serão trabalhados in situ, como testemunhos do ciclo de vida da floresta e da capacidade de converter a perda em arte e aprendizagem. Para os mais novos, uma app ou um flyer transformará a visita numa caça ao tesouro da natureza; um jogo de descoberta que aproxima ciência e imaginação.
Para acolher as famílias, integraremos um espaço de lazer com escorrega em linguagem natural, onde madeira, sombra e terreno moldam a brincadeira. Em todo o conjunto, a experiência será segura, inclusiva e sensorial, com percursos legíveis e pontos de pausa que convidam a ficar.
Assim, a Mata do Castelo voltará a ser um lugar vivo e seguro, onde as memórias de adolescência podem ser herdadas, não apenas lembradas. Reparamos o que foi ferido, reforçamos a biodiversidade, devolvemos legibilidade aos trilhos e criamos um percurso de esculturas que transforma troncos tombados em guardiões do conhecimento deste bosque. Com o vosso apoio, a tempestade deixa de ser apenas um episódio de perda para se tornar um capítulo de renascimento — e a Mata volta a sussurrar histórias, antigas e novas, a quem por ela se deixa conduzir.

Exemplos de escultura e espaços de lazer que pretendemos desenvolver.