Este Projeto valoriza o movimento, a exploração do espaço exterior e a vivência de riscos controlados, promove oportunidades de aprendizagem significativas, contribuindo para o desenvolvimento motor, emocional, social e cognitivo das crianças.
A tempestade Kristin provocou danos relevantes nos ecossistemas urbanos da Marinha Grande e de Leiria, afetando de forma significativa os espaços verdes integrados nos estabelecimentos de ensino. Esta realidade criou não apenas a necessidade de recuperar áreas naturais destruídas, mas também a oportunidade de repensar a relação da comunidade escolar com o ambiente, promovendo novas dinâmicas de aprendizagem em contexto real.
O projeto “Brincar em Liberdade” assume a aprendizagem como um processo ativo, autónomo, inclusivo e significativo, reconhecendo o papel determinante do ambiente educativo na construção do conhecimento, no desenvolvimento integral da criança e na promoção do seu bem‑estar. Partindo desta visão, a criação de ambientes exteriores de jogo livre e desafiador, inspirados nas reflexões e contributos do Professor Carlos Neto sobre a importância do brincar, do movimento e da relação com o espaço exterior, vem aprofundar e alargar uma abordagem pedagógica que coloca a criança no centro do processo educativo.
A presente proposta foi igualmente inspirada no modelo Anji Play, desenvolvido na região de Anji, na China, e que tem vindo a ganhar reconhecido destaque pedagógico a nível internacional, pela valorização do brincar livre, do movimento, da autonomia e do respeito pelas capacidades das crianças.
Estes ambientes reforçam uma pedagogia centrada na criança, assente no respeito pelos seus ritmos, interesses, necessidades e capacidades, promovendo contextos ricos em oportunidades de exploração, descoberta e experimentação. O contacto regular com o espaço exterior e com materiais abertos e transformáveis favorece o bem‑estar físico e emocional, estimula a curiosidade natural, desenvolve a confiança e contribui para a construção de uma relação positiva com a aprendizagem.
Ao valorizar o brincar como experiência fundadora da aprendizagem, o projeto reconhece a criança como sujeito competente, capaz de agir de forma intencional, explorar o mundo que a rodeia, tomar decisões, cooperar com os outros, enfrentar desafios e assumir riscos de forma progressivamente consciente. Esta perspetiva atribui ao brincar um estatuto pedagógico pleno, entendendo‑o como um processo complexo de construção de significado, e não como mera ocupação do tempo.
O projeto “Brincar em Liberdade” contribui, assim, para a construção de uma escola mais humana, inclusiva e promotora de sucesso educativo, onde todas as crianças têm oportunidades reais de participar, explorar, aprender e desenvolver-se de forma plena, respeitando a diversidade e garantindo o direito fundamental ao brincar.
Fundamentação Científica e Técnica
Sustentados nas palavras do Professor Carlos Neto, “a criança saudável tem os joelhos esfolados”, refere mais adiante que a redução do tempo dedicado à atividade física “e ao brincar em contextos familiares, escolares e comunitários, e, em especial, em espaços exteriores” (2020), tem vindo a comprometer o desenvolvimento motor, a autonomia, a capacidade de autorregulação e o bem-estar global da criança, afastando-a de experiências fundamentais para a construção de uma infância saudável e equilibrada.
O brincar no exterior constitui‑se como um poderoso contexto educativo para o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais, emocionais e motoras, favorecendo a autonomia, a iniciativa, a cooperação, a comunicação, a resolução de problemas, a criatividade e a autorregulação. O movimento, o corpo, a relação com o espaço, com os materiais e com os outros tornam‑se elementos centrais da aprendizagem, potenciando experiências ricas, significativas e duradouras.
Deste modo, o recreio e os espaços exteriores deixam de ser entendidos apenas como momentos ou locais de pausa entre atividades formais, passando a afirmar‑se como ambientes educativos intencionais, pensados, organizados e pedagogicamente reconhecidos. Neles, o brincar é legitimado como uma forma essencial de aprender, comunicar, cooperar e construir conhecimento, em estreita articulação com o currículo, com as práticas de leitura, de expressão artística e corporal, de cidadania e de inclusão.

As escolas
Sobre o promotor
Resultou da agregação do Agrupamento de Escolas Prof. Alberto Nery Capucho com a Escola Secundária Pinhal do Rei no dia 24 de abril de 2013, englobando a Educação Pré-Escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário (Regular e Profissional. O Agrupamento é composto por várias unidades orgânicas:
|
Educação Pré-Escolar
|
Básico
|
Ensino Secundário
|
|
1.º CEB
|
2.º CEB
|
3.º CEB
|
|
|
JI Boavista
JI Comeira
JI Engenho
JI João Beare
JI Pedrulheira
JI Pilado
JI Trutas
|
EB Albergaria
EB Comeira
EB Engenho
EB João Beare
EB Nery Capucho
EB Picassinos
EB Pilado
EB Trutas
|
EB Nery Capucho
|
EB Nery Capucho
ES Pinhal do Rei
|
ES Pinhal do Rei
|
O Agrupamento presta o serviço académico a 2124 alunos distribuídos por 28 nacionalidades.
A diversidade de público, resultante do crescimento multicultural da cidade, conjugada com o aumento da escolaridade obrigatória para os 18 anos, requer da parte dos agentes educativos estratégias que contribuam para a resolução dos problemas relacionados com o insucesso e o abandono escolar, promovendo uma inclusão social eficaz.
O Agrupamento dispõe de recursos técnicos pedagógicos e equipamentos fundamentais que proporcionam a qualidade das aprendizagens dos alunos. Conta com os serviços de Educação Especial, os serviços de Psicologia e Orientação e os serviços de Terapia da Fala. O Agrupamento tem três bibliotecas integradas na rede de Bibliotecas Escolares (Nery Capucho, Pinhal do Rei e EB João Beare) e duas Mediatecas (EB Comeira e EB Engenho).
O AEMGN aposta numa Escola Inclusiva que visa atender à diversidade das necessidades dos alunos, onde cada um tem oportunidade de encontrar respostas educativas de acordo com as suas expectativas e potencialidades. Assim, um dos grandes desafios consiste em adequar os processos de ensino às características e condições individuais de cada aluno, através da mobilização de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão e de meios para que todos os alunos tenham acesso ao currículo e às aprendizagens.
O AEMGN assegura o apoio a alunos com necessidades específicas, estando distribuídos pelos diferentes ciclos de ensino, desde o ensino Pré-escolar até ao décimo segundo ano. O centro de apoio à aprendizagem acolhe a valência de apoio especializado à multideficiência no 3.º CEB e Secundário e estando a ser criada a valência para o 2.º CEB.
4.1. Estabelecimentos educativos abrangidos
Serão abrangidos os 7 estabelecimentos educativos da rede pré-escolar do Agrupamento:
Orçamento e Calendarização
Descrição Técnica da Intervenção
A intervenção será organizada em quatro etapas sequenciais:
5.1 Etapa 1 – Diagnóstico e Coconstrução da Visão
- Análise dos espaços exteriores existentes;
- Envolvimento de crianças, docentes, assistentes e famílias;
- Definição colaborativa das zonas de jogo.
5.2 Etapa 2 – Organização do Espaço e Materiais
- Seleção e aquisição/construção de materiais;
- Organização flexível, sem percursos rígidos;
- Garantia de segurança funcional, sem eliminar o desafio.
5.3 Etapa 3 – Formação e Sensibilização
- Introdução aos princípios do Anji Play;
- Observação pedagógica e documentação;
- Articulação com práticas curriculares e de leitura.
5.4 Etapa 4 – Dinamização, Acompanhamento e Sustentabilidade
- Avaliação contínua do uso dos espaços;
- Rotação e renovação de materiais;
- Partilha de boas práticas na comunidade educativa.
6. Tipologia de Recursos e Materiais
Os espaços exteriores organizam-se em zonas abertas, flexíveis e transformáveis, recorrendo a materiais não estruturados, robustos e inclusivos, nomeadamente:
- Blocos grandes de madeira;
- Tábuas, troncos, rolos, caixas;
- Pneus, cordas, rampas;
- Tecidos resistentes;
- Pedras, areia, água;
- Materiais reciclados seguros;
Os materiais não têm uma função pré‑definida, permitindo múltiplas soluções e leituras pelas crianças.
No entanto, para a realização de algumas atividades que envolvem riscos controlados, é necessária a existência de um piso de amortecedor em borracha, que permita reduzir o impacto das quedas e minimizar a ocorrência de acidentes.
7. Etapas de Implementação e Orçamento
A requalificação de cada um dos espaços implica a concretização das etapas indicadas abaixo com uma previsão de custos associados em cerca de 5 000€ por espaço que permite a reconfiguração do espaço, incluindo a criação de uma zona com piso amortecido, com cerca de 100m2, a aquisição de equipamento realização de ações formação e sensibilização, de dinamização, acompanhamento e sustentabilidade do projeto. Para a intervenção nas três escolas o custo estimado é de 35 000€.
|
Etapa
|
Descrição
|
Valor
|
|
1
|
Consultoria
|
500 €
|
|
2
|
Preparação, Equipamento e Plantação
|
4 500 €
|
|
Total: 5 000 €
|
|
|