Este livro de poemas livres é um mergulho íntimo nos territórios invisíveis da alma.
Há perguntas que não gritam, apenas permanecem. Ficam sentadas no canto dos nossos dias, observando o relógio, enquanto nós observamos o nada. “Porque esperas?” é uma dessas perguntas: simples na forma, enorme no eco.
Este livro nasceu dessa pausa. Do intervalo entre o desejo e o passo, entre o sonho e o salto, entre o que somos agora e o que poderíamos ser se tivéssemos menos medo. Não é um livro contra a espera, mas a favor do despertar. Porque há esperas que nos protegem e há esperas que nos aprisionam, e aprender a distinguir uma da outra é, talvez, uma das maiores artes da vida.
Na espera, criamos desculpas elegantes, histórias confortáveis, versões reduzidas de nós mesmos. Dizemos “ainda não”, “talvez depois”, “quando for o momento certo”. Mas o momento certo é um animal selvagem: não se adestra, não bate à porta, não manda avisos. Ele passa. E, muitas vezes, passa sem fazer barulho.
Estas páginas não pretendem apressar-te, mas acordar-te. Não oferecem fórmulas, apenas espelhos. Cada capítulo é um convite, às vezes suave, às vezes incomodo, para que te perguntes: estou a preparar-me… ou a esconder-me?
Se este livro servir para interromper uma única espera vazia, para acender uma única coragem adormecida, então já terá cumprido o seu papel.
E agora que a pergunta foi lançada, resta apenas uma coisa: quanto tempo mais pretendes esperar?
Com Carinho,
Mário Fróis

