Depois do enorme sucesso de "Um Natal com Bach - uma gaveta e uma viagem", o Coro Amigos do Conservatório Nacional quer levar até si um novo programa nesta Páscoa, em três concertos para coro e órgão.
Geistliche Lieder (Canções Espirituais) é a proposta musical do Coro Amigos do Conservatório Nacional (CACN) para o final do Tempo Quaresmal de 2026, em concertos a ter lugar nos dias 27, 28 e 29 de março, em três igrejas da cidade de Lisboa, dotadas de órgãos extraordinários: a Igreja de São Tomás de Aquino, às Laranjeiras; a Igreja de São Francisco de Assis, na Penha de França; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Avenida de Berna. Vamos apresentar obras para coro e órgão de três grandes compositores do romantismo germânico: Felix Mendelssohn (1809-1847), Johannes Brahms (1833-1897) e Josef Rheinberger (1839-1901).

Ambos os termos da expressão Geistliche Lieder são usados em sentido amplo: as Lieder não são canções no sentido estrito — peças breves para voz solista e piano —, mas obras ajustadas às possibilidades do coro; e a espiritualidade evocada por Geistliche abrange diversas modalidades — embora os textos provenham da tradição judaico-cristã, mantêm uma abertura de sentido que acolhe outras expressões espirituais, em linha com o interesse romântico por culturas extra-europeias, ainda hoje actual.
O programa inclui as seguintes peças:
– Verleih uns Frieden gnädiglich (MWV A 11) e Drei geistliche Lieder (MWV B 33), de Mendelssohn;
– Geistliches Lied (op. 30) e Begräbnisgesang (op. 13), de Brahms;
– Stabat Mater (op. 138), de Rheinberger.

A sua ajuda é fundamental
O Coro Amigos do Conservatório Nacional (CACN) precisa de financiamento parcial para oferecer estas obras à cidade de Lisboa. Embora os concertos desta Páscoa tenham custos inferiores aos dos programas corais-sinfónicos de Natal, as peças exigem ainda assim a participação de músicos profissionais. Sendo um coro sustentado essencialmente pelas mensalidades dos seus coralistas, sem este apoio não será possível realizar os três concertos previstos.
O que reúne cantores amadores neste projecto é a vontade de interpretar repertório que dificilmente poderiam cantar individualmente e de o partilhar com o público. Procuramos proporcionar um contacto próximo, gratuito e acessível com obras que, muitas vezes, só podem ser ouvidas em salas de concerto pagas.
O objectivo do CACN e do maestro Luís Lopes Cardoso é levar ao público o resultado de muitos meses de trabalho dos cerca de 65 coralistas, enriquecido pela colaboração com músicos e solistas. Estes concertos, oferecidos à cidade, contribuem para reforçar o espírito de comunidade e convívio numa época especialmente significativa do ano.
Para concretizar este programa, é indispensável contratar uma cantora solista e um organista. O seu contributo é decisivo para que estes concertos se realizem e para que possamos abrir as portas, gratuitamente, a todos os que nos queiram ouvir.

Uma recompensa especial
Desta vez, para além das recompensas que sempre temos dado em troca das vossas contribuições — reserva de lugares ou participação num ensaio do coro — temos uma recompensa especial para quem contribua no escalão mais elevado: os dez primeiros receberão uma obra de Pedro Calapez, reconhecido artista plástico português.

Contrapontos espirituais
O contraponto não é ornamento, é um mecanismo estrutural. Assim como linhas independentes sustentam na música a forma e a harmonia, podemos nas artes plásticas encontrar uma cor afectada por outra ou uma linha atravessando inusitada mas equilibradamente um plano. Situações inesperadas entre os fundos, linhas, cores ou texturas, reagem em sintonia mas também em contraponto, atingindo-se o equilíbrio da superfície plástica num diálogo entre distintos elementos. É por dentro, a partir do plano de fundo que diferentes elementos vão surgindo, sobrepondo ou misturando. A aparente desordem dos planos no espaço visual exprime o espiritual dissonante ou convergente. É por dentro que se revela a espiritualidade.
Calapez, Janeiro 2026
As obras Contrapontos espirituais #1, #2, #3, #4 e #5 estão disponíveis num total de dez exemplares, dois de cada. À medida que forem chegando as contribuições, entraremos em contacto com cada pessoa para escolher a obra preferida, de entre as que ainda estiverem disponíveis.