Criar 3 microflorestas em áreas afetadas pela tempestade Kirstin, regenerando o território e transformando estes espaços em ambientes vivos de educação ambiental para jovens.
A tempestade Kirstin, ocorrida em janeiro de 2026, deixou um rasto de destruição no território, com milhões de árvores derrubadas e impactos profundos nos ecossistemas e nas comunidades.
Para além da perda imediata de cobertura vegetal, esta situação agravou um problema estrutural do Pinhal Interior: mais de 90% do território é altamente vulnerável a incêndios rurais. A acumulação de biomassa resultante da tempestade aumenta significativamente este risco, criando condições críticas para os próximos anos.
Simultaneamente, o território enfrenta os efeitos das alterações climáticas, com verões cada vez mais quentes, secos e prolongados. Estes fenómenos intensificam as ilhas de calor, sobretudo em áreas urbanas e periurbanas, afetando diretamente o conforto térmico e a qualidade de vida das populações.
A tempestade afetou também diretamente espaços de lazer e convívio — trilhos, zonas verdes e áreas comunitárias — limitando o acesso da população a espaços essenciais.
Perante este contexto, torna-se essencial intervir, não apenas para recuperar, mas para regenerar de forma mais resiliente.
Esta campanha propõe a criação de 3 microflorestas em áreas fortemente afetadas, utilizando modelos de plantação densos e biodiversos, com espécies autóctones adaptadas ao território. Este tipo de intervenção permite uma regeneração ecológica mais rápida e eficaz, com benefícios concretos:
- aumento da biodiversidade;
- melhoria da retenção de água no solo;
- redução da temperatura local;
- maior resiliência ao fogo;
- recuperação de espaços de uso comunitário.
Para além da intervenção física, este projeto assume uma forte dimensão educativa, posicionando as microflorestas como espaços vivos de aprendizagem e sensibilização ambiental. Serão desenvolvidos programas estruturados com escolas, adaptados a diferentes níveis de ensino, envolvendo jovens entre os 11 e os 18 anos em atividades práticas e pedagógicas ligadas ao território.
Estas atividades incluem ações de plantação, sessões de sensibilização sobre alterações climáticas, biodiversidade e prevenção de incêndios, bem como momentos de exploração e interpretação da paisagem, promovendo uma aprendizagem ativa e contextualizada.
O objetivo não é apenas envolver os alunos, mas proporcionar experiências significativas que reforcem a ligação ao território, estimulem o pensamento crítico e promovam comportamentos mais conscientes e responsáveis face aos desafios ambientais.
Prevê-se o envolvimento direto de alunos e professores ao longo do projeto, criando uma relação contínua entre escolas e território e contribuindo para o desenvolvimento de competências ambientais, sociais e cívicas nas novas gerações.
Mais do que uma intervenção pontual, este projeto pretende criar um modelo educativo replicável, onde as microflorestas deixam de ser apenas uma intervenção ecológica e passam a funcionar como ferramentas educativas permanentes ao serviço das comunidades.
O futuro do território pode ser antecipado.
A diferença está em agir a tempo.
Sobre o promotor
A ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto é uma plataforma de cooperação regional público-privada, de âmbito supramunicipal, que lidera a Rede das Aldeias do Xisto.
Esta rede integra 28 aldeias da Região Centro de Portugal e envolve cerca de 230 entidades públicas e privadas, incluindo 20 municípios, 5 comunidades intermunicipais, 7 grupos de ação local e mais de 150 empresas que atuam no território.
A missão da ADXTUR é gerar atratividade territorial, promovendo um desenvolvimento social e económico sustentável, integrado e participado. A sua atuação assenta na mobilização das comunidades, na valorização da identidade cultural e dos recursos endógenos e na criação de condições para o desenvolvimento de atividades económicas, em particular no setor do turismo.
Desde a sua criação, a ADXTUR tem vindo a afirmar-se como uma estrutura de coordenação e convergência estratégica no Pinhal Interior, promovendo uma atuação concertada entre agentes públicos e privados e contribuindo para a valorização do território enquanto destino para viver, investir e criar.
Neste projeto, a ADXTUR assume o papel de entidade coordenadora, sendo responsável pela identificação das áreas de intervenção em articulação com municípios e parceiros locais, bem como pela coordenação técnica e acompanhamento da implementação das microflorestas.
Paralelamente, terá um papel ativo na disseminação do conceito de microflorestas e regeneração ecológica, promovendo a sua replicação noutros contextos, incluindo nas áreas envolventes das Aldeias do Xisto.
A ADXTUR assegurará a dinamização da componente educativa do projeto, em articulação com parceiros locais e entidades especializadas, promovendo atividades com escolas e jovens e contribuindo para reforçar a literacia ambiental e a ligação entre comunidades e território.
A sua atuação caracteriza-se por uma abordagem integrada que cruza preservação do património, valorização cultural e inovação, mobilizando diferentes atores e promovendo novas formas de desenvolvimento territorial. Este projeto enquadra-se nessa trajetória, reforçando a capacidade do território para responder aos desafios climáticos e promover soluções sustentáveis com impacto local.
Orçamento e Calendarização
O investimento solicitado será aplicado diretamente na regeneração de áreas afetadas e na implementação de microflorestas, assegurando também a componente técnica, educativa e de acompanhamento do projeto.
Orçamento total: 100.000€
- Implementação de 3 microflorestas (90.000€): Inclui preparação do solo, aquisição de espécies autóctones, plantação, sistemas de proteção e manutenção inicial.
(Valor médio por microfloresta: ~30.000€)
- Desenvolvimento técnico e seleção de áreas (3.000€): Levantamento e análise das áreas de intervenção, definição de soluções técnicas e planeamento das microflorestas.
- Programa educativo (3.000€): Desenvolvimento de conteúdos pedagógicos, dinamização de workshops, acompanhamento técnico e atividades práticas com escolas ao longo do projeto.
- Coordenação e gestão do projeto (2.000€): Articulação entre municípios e parceiros, acompanhamento técnico e monitorização da execução.
- Comunicação e disseminação (2.000€): Divulgação do projeto, partilha de resultados e promoção do modelo de microflorestas para futura replicação.
Calendarização (12 meses)
- Fase 1 (1-3 meses): identificação das áreas, planeamento técnico e articulação com parceiros locais;
- Fase 2 (4-6 meses): implementação das microflorestas (preparação do terreno, plantação e instalação);
- Fase 3 (7-12 meses): manutenção inicial, monitorização do desenvolvimento das microflorestas e realização das atividades educativas.
Este modelo foi estruturado para maximizar o impacto no território, garantindo que a maior parte do investimento é aplicada diretamente na implementação das microflorestas.