E se homem barbudo de há dois séculos, vestindo um fato e gravata, carregando uma mala, talvez de livros, talvez de ideias, aterrasse em Portugal? E se esse homem fosse Karl Mar...
E se homem barbudo de há dois séculos, vestindo um fato e gravata, carregando uma mala, talvez de livros, talvez de ideias, aterrasse em Portugal?
E se esse homem fosse Karl Marx, que para reivindicar o direito a limpar o seu nome veio cá abaixo, mais propriamente à Baixa?
Este é o mote de Marx na Baixa, um espectáculo que mostra o lado mais humano do filósofo alemão. Uma mesa, duas cadeiras e quatro ou cinco adereços são o que Marx precisa para marcar um encontro com os lisboetas e para nos enviar numa viagem tão histórica como íntima, tão política como sentimental, tão profunda como irresistivelmente hilariante.
Trazer Karl Marx à Baixa de Lisboa é tarefa hercúlea. Já significou a tradução da obra de Howard Zinn, a compra dos direitos de autor e incontáveis horas de ensaios, reuniões e contactos. Do guarda-roupa à iluminação, passando por toda a produção, tudo em Marx na Baixa tem sido feito por uma equipa profissional, mas sem o suporte de qualquer estrutura profissional.
Sem apoios financeiros e investindo o próprio dinheiro, esta equipa de quatro pessoas tem feito pelas suas próprias mãos tudo o que sabe não poder esperar dos grandes mecenas. É exactamente por sabermos que os bancos ou os grandes grupos económicos nunca irão apoiar a visita de Karl Marx a Portugal que ela é tão premente. Porque esta peça de teatro incomoda e dá que pensar, seria muito mais confortável para uns poucos que Marx nunca pisasse os nossos palcos, nem numa comédia, nem a brincar! Para alguns, o teatro estaria melhor adestrado, amansado com a chantagem política do dinheiro e submisso à vontade e mau-gosto de quem o quer destruir.
É por Karl Marx ser o protagonista desta peça que os protagonistas do seu financiamento temos que ser todos. Marx na Baixa tem uma campanha em curso para ajudar a pagar a publicidade da peça (cartazes, panfletos, postais, etc.). Abaixo, através do PPL, uma empresa de crowdfunding portuguesa, cada um tem a oportunidade de fazer uma doação consoante as suas possibilidades. A nossa meta são 500€ e se este valor não for atingido até 27 de Maio, todas as contribuições serão devolvidas.
De Marx in Soho a Marx na Baixa
Marx marca de forma indelével a narrativa histórica do século XX. A sua filosofia inspira revoluções, redesenha fronteiras e agita, com a promessa de um mundo novo, os corações da humanidade inteira. Mas se 130 anos depois da sua morte o capitalismo triunfante garante tê-lo varrido para debaixo do baú das antiguidades filosóficas, porque será necessário declará-lo morto uma e outra vez? É para responder a esta pergunta que Karl Marx, em licença de uma hora, regressa ao mundo dos vivos. Marx in Soho, foi escrita em 1999 por Howard Zinn (1922-2010), historiador e dramaturgo norte-americano, mais conhecido pela sua autoria da "História dos Povos dos EUA". A suas obras foram distinguidas com dezenas de prémios, entre os quais o Thomas Merton Award, o Eugene V. Debs Award, o Upton Sinclar Award e o Lannan Literary Award. De estivador a doutor pela Columbia University e professor catedrático, o percurso de vida de Howard Zinn é indissociável do seu compromisso para com a justiça social e a simpatia pela causa dos humilhados.
Dizia Goethe que na impossibilidade de ser imparcial, vale mais a pena ser honesto. Marx in Soho é isso mesmo: tão parcial como sincera, tão política como verdadeira. Traduzida para dezenas de línguas e levada à cena em mais trinta países, Marx in Soho é uma crítica mordaz às hipocrisias e injustiças dos nossos tempos; uma fotografia vívida e apaixonante de Marx como a voz de uma humanidade insubmissa perante a iniquidade. O Marx de Soho não é uma caricatura nem um ídolo de barro. As mãos habilidosas de Howard Zinn historiador e activista modelaram um Karl Marx além da figura histórica, que é também um pai carinhoso, um marido dedicado e um crítico surpreendentemente lúcido do mundo actual. Mas Marx in Soho não nos oferece apenas uma original síntese dramática da filosofia marxista. Sustentado por uma investigação histórica de vários anos, Zinn foi capaz de reimaginar a personalidade, a vida e os dramas de um Karl Marx completamente humano. Este é o Karl Marx que bebe cerveja e sofre de furúnculos; Permanentemente exilado e procurado pela polícia, apaixonado pela sua mulher Jenny, desempregado e sem dinheiro para sustentar os filhos. Este é o Karl Marx verdadeiro, irascível e brilhante, que vê morrer três dos seus cinco filhos em condições miseráveis e que, apesar de tudo, nunca perdeu a esperança num mundo mais justo.
À deriva do seu animado monólogo, Karl Marx partilha com o público detalhes da sua vida íntima, comenta os grandes acontecimentos históricos da sua época, imiscui-se provocadoramente na nossa e apresenta-nos personagens deliciosas como o intempestivo anarquista Bakunin, a precoce revolucionária Eleanor ou o potencial burocrata Peeper. Howard Zinn dizia com propriedade que esta não é uma peça sobre política. É uma peça sobre Marx. É essa subtileza que confere a força e graciosidade necessárias a que, independentemente das opções políticas de cada um, ninguém fique indiferente a um Marx ora embalado pela esperança, ora dilacerado pela culpa, ora consumido pela tristeza, ora incendiado de raiva.
A relevância de uma peça ou a urgência de uma adaptação
Mas, por um erro burocrático das entidades do além, Karl Marx não aterra no Soho, Londres, que originalmente planeava visitar, nem no Soho, New York, onde em 1999 Zinn o colocou, mas em Portugal, no ano de 2014. "Marx na Baixa” não é só a primeira tradução desta peça para língua portuguesa nem tampouco só a primeira vez que subirá aos palcos em Portugal, é a completa adaptação do original aos nossos dias e à realidade política e social que o nosso país atravessa. A transformação do texto original incide em grande medida sobre três vectores: a actualização de comentários e notícias que desde 1999 perderam relevância; a adaptação a Portugal das referências à política e cultura norte-americanas e, por fim, a suavização de alguns matizes políticos a que o curso da História obriga.
Um fantasma assombra os teatros! Podem as classes dominantes tremer ante o seu regresso: Karl Marx visita Portugal em 2014! “Marx na Baixa”, com encenação de Mafalda Santos e direcção técnica de João Barreiros, a tradução e adaptação (António Santos) do original de Zinn, pisa pela primeira vez os palcos portugueses. Munido de boa cerveja portuguesa e um acervo de jornais do dia, Karl Marx (André Levy) visita Portugal para nos dizer de sua justiça, para nos contar uma história ou duas sobre a sua vida e para discutir as notícias que a espuma dos dia traz a Portugal, mas também para defender a sua honra e nos desafiar a defender a nossa.
Datas de espectáculos confirmados
- 10 de Maio de 2014 - Lisboa - Faculdade de Letras - Congresso de Estudos Marxistas 16:00 (demonstração gratuita de 20 minutos)
- 17 de Maio de 2014 - Almada - Fórum Romeu Correia - Auditório Fernando Lopes-Graça - 21:30
- 18 de Maio de 2014 - Almada - Fórum Romeu Correia - Auditório Fernando Lopes-Graça - 16:00
- 30 de Maio de 2014 - Benfica - Auditório Carlos Paredes - 21:30
- 31 de Maio de 2014 - Moura - Teatro Fórum de Moura - 21:30
- 12 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 13 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 14 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 15 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 16:30
- 19 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 20 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 21 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 22 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 16:30
- 26 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 27 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 28 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 21:30
- 29 de Junho de 2014 de 2014 - Lisboa - Teatro da Barraca - 16:30
- Surpresa!
- 18 de Setembro de 2014 - Queluz - Teatro Esfera - 21:30
- 19 de Setembro de 2014 - Queluz - Teatro Esfera - 21:30
- 20 de Setembro de 2014 - Queluz - Teatro Esfera - 21:30
- 25 de Setembro de 2014 - Queluz - Teatro Esfera - 21:30
- 26 de Setembro de 2014 - Queluz - Teatro Esfera - 21:30
- 27 de Setembro de 2014 - Queluz - Teatro Esfera - 21:30
- 25 de Outubro de 2014 - Carnide - Centro Cultural de Carnide - 21:30
Não Matem o Mensageiro
Depois de Marx na Baixa, Lénine chega a Portugal
Saudações teatrais,
Foi com o teu apoio que, há dois anos, trouxemos Karl Marx aos palcos portugueses na peça "Marx na Baixa". Agora, num momento em que se cumprem 199 Invernos sobre a Revolução de Outubro, a Associação Não Matem o Mensageiro está a planear uma homenagem às grandes transformações de 1917. "A Última Viagem de Lénine" é um texto original que conta a história da Revolução de Outubro em 90 minutos, num registo cómico e acessível para quem nunca teve qualquer contacto com o episódio maior da História humana. Trazendo Lénine a Lisboa e baseado num levantamento biográfico e teórico extenso, este texto original de António Santos ganha vida com a interpretação de André Levy e a encenação de Mafalda Santos.
Porque não temos apoios públicos, continuamos dependentes da tua solidariedade, com 1€ ou com 100€, todos os contributos são precisosos. Podes apoiar aqui: http://ppl.com.pt/pt/prj/trazer-lenine-portugal
Associação Cultural Não Matem o Mensageiro
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Não Matem o Mensageiro
Novas peças continuam o trabalho de Marx na Baixa
Associação Cultural Não Matem o Mensageiro, que levou às salas de teatro o projecto Marx na Baixa, está a trabalhar em duas novas produções: Homem Morto Não Chora e A Última Viagem de Lénine.
Com estreia marcada para Março no Teatro da Comuna, em Lisboa, e sem quaisquer apoios públicos, Homem Morto Não Chora é um gesto de militância e activismo dos actores (o André Levy e o André Albuquerque) e da encenadora, a Mafalda Santos. Trata-se de uma peça política com o propósito declarado de levar a mais trabalhadores a coragem necessária para lutar. Cremos que, desde o 25 de Abril, não se levantava nenhum grupo de teatro político e de classe. Não é fácil, já se adivinha, fazer teatro politizado quando os teatros estão a fechar. Mas é uma necessidade. Uma necessidade de todos.
Se a arte e o entretenimento amplificados pelos grandes grupos económicos nos indigna pela intenção de estupidificar e alienar, devemos, num gesto de indignação, ajudar a criar a resistência. E também nos palcos se resiste.
É por acreditarmos que faz falta um projecto de teatro para dar mais força à luta que pedimos o teu contributo e a tua solidariedade. Podes fazer o teu contributo, a partir de um euro, com segurança através desta conta do PPL: http://ppl.com.pt/pt/prj/homem-morto-nao-chora
O prazo para apoiar o projecto é o princípio de Fevereiro.
http://ppl.com.pt/pt/prj/homem-morto-nao-chora
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